NENPUKU SATO
kakinet.com ah trovão na densa floresta em todas as direções trovõezinhos Nenpuku Sato Sobre a mesa, um livro de Nenpuku Sato. [1] Jamais saberei dizer quanto meu coração ama esse haijin... Um de seus poemas, aquele que talvez seja o mais conhecido, diz algo assim: “rasgo de trovão e seus rebentos a ecoar dos quatro cantos do mar de selva”. Ou: “ribombo do trovão – na densa floresta em todas as direções reverberam seus filhos”. Creio que esse haiku é a verdadeira captura de um instante em seu núcleo de eternidade, como ouço dizer dos haicais bons. Eu não entendo bem essa expressão, mas gosto muito dela. Em face do trovão, de todos os cantos retumbam ecos como filhos que acorrem ao chamado do pai. Segundo Edson Kenji Iura, aí se exprime “o assombro do imigrante ante a imensidão da natureza no novo país (...) algo que japonês nunca vira”. [2] Poucas vezes vi, com tanta precisão e força, a síntese de um mome...