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APONTAMENTOS

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    Matsuo Bashô por Katsushika Hokusai 「 瓶わるる夜の氷のねざめかな 」 kame waruru yoru no kôri no nezame kana   parte-se o vaso ah... súbito despertar do gelo da noite Bashô   Matsuo Bashô (1644-1694) é o mais venerado poeta de haicai do Japão. Uma vez, ensinando-me haicai, minha mestra citou este em japonês. Parece que alguém acorda, no meio da noite, por causa do barulho do jarro que se quebra devido ao gelo. Isso também sugere despertar em outro nível de consciência. Este poema me toca profundamente!   *   「岩鼻やこゝ に もひとり月の客」 iwahana ya koko ni mo hitori tsuki no kyaku   no cimo da rocha — um convidado da lua também solitário Kyorai   Kyorai (1651-1704) foi um dos mais notáveis discípulos de Bashô. Neste haiku, ele vislumbra alguém, tão sozinho quanto ele, a contemplar a lua em uma noite no rochedo. A lua é anfitriã... No livro de notas de Kyorai, que nunca foi publicado em português, há interessante co...

HAICAI E MEMÓRIA

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(Imagem Sasin Tipchai - Pixabay)   HAICAI E MEMÓRIA   PONTO DE VISTA E A VISTA DE OUTRO PONTO Francisco Handa discorreu, na sétima colação de “Técnica e disciplina” (Jornal Nippak, Haicai Brasileiro, 24 de novembro de 2016) [1] , sobre o “presente vivido” na composição de um autêntico haicai. Refere-se ao “diálogo de sensações” que se estabelece – ou deveria, necessariamente, estabelecer-se – com o “presente”, na feitura do haicai. [2] Em seguida afirma: “Não se compõe um haicai numa época com o kigô de outra. (...) Se isso ocorrer, o haicaísta está ludibriando a si mesmo e aos outros. (...) Por isso, a composição do haicai pressupõe que o haicaísta viva no ato da composição com os elementos fenomênicos e físicos do instante. Fazer o inverso é possível, quando o haicaísta revira o seu baú de memórias, de uma época diferente, de sua sensação diferente para compor. No caso, faltará com a honestidade da composição, construindo um haicai artificial. Não se trata de haicai m...