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O CRAVO NO PEITO - Seishin

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  (Imagem Petra - Pixabay) O Cravo no Peito é o nome da coleção de haicais que se segue. Foi publicado pela primeira vez na revista Brasil Nikkei Bungaku , após o autor ter recebido o Prêmio Yoshio Takemoto. [1] Naquela ocasião foi também publicado no livro Celebração , edição comemorativa do cinquentenário da Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil. [2] Ceia de Ano Novo — Sabor de felicidade Nos pratos da mãe.   Caminho da choça — Suavidade de luz Sobre as folhas novas.   No cimo do álamo Uma ave solitária — Tarde de verão.   De sutil perfume E notável elegância: O cravo no peito   Apenas o vento E a minha solidão — Noite de agosto. [1] O Prêmio Yoshio Takemoto, conferido pela Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil, foi talvez o mais importante e longevo prêmio de haicai da língua portuguesa. Seishin o recebeu em 2015, pelo Cravo no Peito. O Cravo no Peito foi publicado pela p...

HAICAI, UM MODO DE VIDA

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(Imagem Frank Winkler - Pixabay) HAICAI, UM MODO DE VIDA Seishin ( 清心 ) *   Emoção e simplicidade Aprendi de minha mestra, ao recordar seu mestre e evocar os mais antigos de nossa tradição, que haicai é emoção. Este é um princípio vital do caminho, moção que deve ter suas raízes aprofundadas na verdade emanada de uma experiência concreta. Em outras palavras, o haicai é bom quando nasce do coração e toca os corações. Ilumina-se com isso o que nos foi transmitido, em diversos tempos e de muitas maneiras: haicai é o aqui e o agora. Alcançar tal percepção, sem ser artificial ou apelativo, é ser simples. Antes de mais nada, e independentemente de estarmos no oriente ou no ocidente, quando praticamos haicai devemos entender que o que nos inspira ou toca é a natureza local, o ambiente natural que nos envolve e influencia, além de nossa própria cosmovisão; imersos em cultura e idioma específicos, vivendo a época não dos velhos mestres, em que o tempo escoava lento nos pac...

AS LUAS DESTA NOITE

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(Imagem  Klaus Stebani   - Pixabay) AS LUAS DESTA NOITE   E de repente, a lua iluminando a roda de amigos Nenpuku Sato [1]   Há anos, no Templo Busshinji de São Paulo, haijins [2] se encontram, por ocasião da primeira lua cheia do outono, para contemplá-la e compor haicais. Especialmente a esta lua chamamos de lua-desta-noite. Fazer haicais à lua de outono é um costume antigo, cuja origem remonta à própria terra de nascimento do “pequeno samurai” que é esta forma fixa de poema, haiku , a menor de todo o mundo, uma das mais amadas e praticadas até hoje. Quem não se lembra das viagens de Bashô, aos confins do velho Japão, onde aparece muitas vezes o intuito de simplesmente contemplar a lua? O que chamamos de lua-desta-noite é um kigo [3] de outono, e esta lua não se confunde com as luas de outras noites ou de outras estações; isto é, traz em si um significado intransferível, próprio da lua cheia de outono do hemisfério em que é contemplada. Portant...

HAICAI E MEMÓRIA

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(Imagem Sasin Tipchai - Pixabay)   HAICAI E MEMÓRIA   PONTO DE VISTA E A VISTA DE OUTRO PONTO Francisco Handa discorreu, na sétima colação de “Técnica e disciplina” (Jornal Nippak, Haicai Brasileiro, 24 de novembro de 2016) [1] , sobre o “presente vivido” na composição de um autêntico haicai. Refere-se ao “diálogo de sensações” que se estabelece – ou deveria, necessariamente, estabelecer-se – com o “presente”, na feitura do haicai. [2] Em seguida afirma: “Não se compõe um haicai numa época com o kigô de outra. (...) Se isso ocorrer, o haicaísta está ludibriando a si mesmo e aos outros. (...) Por isso, a composição do haicai pressupõe que o haicaísta viva no ato da composição com os elementos fenomênicos e físicos do instante. Fazer o inverso é possível, quando o haicaísta revira o seu baú de memórias, de uma época diferente, de sua sensação diferente para compor. No caso, faltará com a honestidade da composição, construindo um haicai artificial. Não se trata de haicai m...