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CÉU DE INVERNO

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  Imagem Pixabay céu de inverno — o frio da navalha em meu pescoço na barbearia   Ao ter a cabeça puxada pelo barbeiro, para passar a navalha em meu pescoço, vi de repente o céu de inverno...   清心 Nota solta, diário Belo Horizonte, 2022   P.S. “Nos dias ensolarados, o céu de inverno é limpo e azulado e, próximo do meio-dia, quase não há nuvens. Sensação de serenidade. Nos dias chuvosos, é um grande manto cinzento e pesado. Sensação de opressão.” ( Natureza, berço do haicai: kigologia e antologia. H. Masuda Goga e Teruko Oda. Empresa Jornalística Diário Nippak Ltda. São Paulo: 1996.)

GOLPE DE KATANA

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Imagem Pixabay Golpe de katana — Em duas partes a gota da chuva estival   Esse terceto é uma firula medíocre, surreal, que escrevi há algum tempo para uma trilogia de temática nipônica. Apesar de não ser um bom haicai – tudo de modéstia aí se perde, pelo que tem de artifício, mostrando-se a rigor pouco digno de respeito! – gosto dele e o incluí em meu inédito. [1] Gosto de sua imagética. É o recorte, conceitual, a impressão personalíssima de um momento de minha vida no caminho do haicai. Sua primeira redação, que sequer guardei, foi modificada. Dentre outras coisas, a chuva do último verso não se sustentava como kigo . Pretendia ser palavra de estação, mas se eu considerasse os períodos de incidência das chuvas no Japão, marcando fortemente mais de uma estação, não ficava claro em qual delas se situava a do haicai. Seria igualmente difícil situá-la nas estações do Brasil. Então, tempos depois, demarcando a sazonalidade, refiz o último verso. As chuvas de verão são fort...

NOTAS SOLTAS, INVERNO

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by Seishin O sol parece não aquecer nesta manhã. Dirijo pelas estradas poeirentas e esburacadas desta terra. A luz solar do inverno me fascina. A resiliência das gramíneas põe de joelhos meu coração. Passando por esses caminhos, não canso de admirar a quantidade de flores possíveis no inverno brasileiro, especialmente espalhadas pelo campo, nascidas sem que ninguém as tenha semeado e, quase sempre, nem sequer pare para as apreciar. São flores do mato, em geral, pequenas e despretensiosas. Dentre elas, não sei o que dizer das flores-de-são-joão... Nos barrancos e pelas encostas do caminho, encontrei-as amarelas e temperadas de poeira. Parei para vê-las de perto, porque não estava seguro de que eram realmente elas. São cornetinhas apinhadas, de uma delicadeza tal e beleza humilde que não entendo como os passantes podem ignorá-las.      por todo o caminho suave ondular de cor  — florzinhas de inverno by Seishin capim de inverno   — sem som de vento ou palavra diz-m...

O SOM DA CASCATA

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  Capa: Lilian Souza de Araújo O título deste livro foi extraído do verso secundário de um dos haicais de verão, aqui publicados. Em nota pessoal, para o referido haicai, escrevi naquela ocasião: “As folhas secas que vão se acumulando, ainda presas às bananeiras, têm o incrível som de água corrente, quando nelas sopra o vento do verão. Descobri isso hoje, 12 de janeiro de 2021, no nosso Eremitério de São José, em Piedade de Caratinga, Minas Gerais.” O vento de verão, no dicionário brasileiro de kigo “Natureza – Berço do Haicai”, de H. Masuda Goga e Teruko Oda, traduz-se nos verbetes “vento verde” (“vento não muito forte que sopra nos campos e regiões arborizadas, durante o verão; vento que parece brincar em meio à verde folhagem”) e “vento aromal” (“vento de verão que traz o cheiro da mata ou da terra; vento que cheira a capins, ervas ou gramíneas”). Quase todos os tercetos aqui enfeixados são inéditos, além de alguns já publicados na importante antologia “Lua de Outono” (Org....

CABURÉ

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(Imagem Pixabay) Ao voltar a casa – em uma das noites de Novena à Nossa Senhora do Carmo, celebrada em uma pequena capela de nossa Paróquia – ingresso no claustro do Convento e percebo de repente o voo surdo de um vulto. A noite está fria, como são as noites de julho aqui em Minas Gerais. As aves noturnas têm voo silencioso, de modo que caem de improviso sobre suas presas. De repente, as luzes automáticas do claustro se apagam. Da cumeeira da casa, o olhar luminoso e penetrante da coruja me alcança. Nós nos olhamos, a pouco menos de dois metros, por um tempo infindável...   de dentro do breu  parece ver a minha alma —  o caburezinho Nota íntima, Diário Julho de 2022 Seishin 清心