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HAICAI, UM MODO DE VIDA

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(Imagem Frank Winkler - Pixabay) HAICAI, UM MODO DE VIDA Seishin ( 清心 ) *   Emoção e simplicidade Aprendi de minha mestra, ao recordar seu mestre e evocar os mais antigos de nossa tradição, que haicai é emoção. Este é um princípio vital do caminho, moção que deve ter suas raízes aprofundadas na verdade emanada de uma experiência concreta. Em outras palavras, o haicai é bom quando nasce do coração e toca os corações. Ilumina-se com isso o que nos foi transmitido, em diversos tempos e de muitas maneiras: haicai é o aqui e o agora. Alcançar tal percepção, sem ser artificial ou apelativo, é ser simples. Antes de mais nada, e independentemente de estarmos no oriente ou no ocidente, quando praticamos haicai devemos entender que o que nos inspira ou toca é a natureza local, o ambiente natural que nos envolve e influencia, além de nossa própria cosmovisão; imersos em cultura e idioma específicos, vivendo a época não dos velhos mestres, em que o tempo escoava lento nos pac...

HAICAI E MEMÓRIA

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(Imagem Sasin Tipchai - Pixabay)   HAICAI E MEMÓRIA   PONTO DE VISTA E A VISTA DE OUTRO PONTO Francisco Handa discorreu, na sétima colação de “Técnica e disciplina” (Jornal Nippak, Haicai Brasileiro, 24 de novembro de 2016) [1] , sobre o “presente vivido” na composição de um autêntico haicai. Refere-se ao “diálogo de sensações” que se estabelece – ou deveria, necessariamente, estabelecer-se – com o “presente”, na feitura do haicai. [2] Em seguida afirma: “Não se compõe um haicai numa época com o kigô de outra. (...) Se isso ocorrer, o haicaísta está ludibriando a si mesmo e aos outros. (...) Por isso, a composição do haicai pressupõe que o haicaísta viva no ato da composição com os elementos fenomênicos e físicos do instante. Fazer o inverso é possível, quando o haicaísta revira o seu baú de memórias, de uma época diferente, de sua sensação diferente para compor. No caso, faltará com a honestidade da composição, construindo um haicai artificial. Não se trata de haicai m...

HAICAI E CONCEITOS

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  (Imagem Larisa-K - Pixabay) HAICAI E CONCEITOS   Flores silvestres pequeninas e sem brilho à espera de abelhas... H. Masuda Goga   Um dia, na reunião do grêmio Ipê, discutíamos sobre yúgen – aquilo que de profundo e misterioso há em alguns textos, dando-nos clara noção de que o haicaísta alcançou, indizivelmente, a essência do assunto. Tal coisa, não parece acontecer pela mera virtuosidade. Embora seja uma qualidade artística, os fabricantes de bons tercetos jamais o alcançarão somente por isso! É algo que, se entendo bem, verifiquei apenas nos textos dos haijins mais aperfeiçoados, os menos pretensiosos, os destituídos de vaidade, e, surpreendentemente, em haicais de crianças. Nissim Cohen assim o apresenta: “qualidade ou virtude artística, yúgen – a representação do inefável ou do invisível, uma convocação do que está por baixo da superfície da natureza percebida”. [1] A yúgen , outros dois conceitos estéticos estiveram aliados: ushin e mushin . O ...