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QUANDO O ESPÍRITO ESTÁ EMBEBIDO DE HAIKAI...

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(Imagem Pixabay)   “Quando o espírito está embebido de haikai , o sentimento interior se funde com as coisas exteriores para determinar a forma do verso, e tão bem que o objeto é apreendido tal qual ele se apresenta, sem que a visão própria crie a menor divergência. Se o espírito, pelo contrário, não se depurou, a visão própria entra em ação e a pessoa tende a buscar a perfeição no arranjo das palavras. E isso constitui apenas a vulgaridade de um espírito que não se esforça para encontrar a verdade.” (Tohô, em Sanzôshi )   Fonte: trecho da Apresentação de Paulo Franchetti ao livro de haicais “O Mendigo Sonha”, de Edson Iura, Telucazu Edições, Jundiaí, 2022.  

VOO DE PASSARINHO

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  (Imagem Pixabay) – HAICAI – VOO DE PASSARINHO   A natureza e suas mudanças Sentir a natureza em suas mudanças não depende de estações bem definidas. Quando se pensa o contrário – se você está no Brasil, por exemplo, que é um país tropical – e não se liberta de uma vez por todas da fantasia de um haicai que precise de neve ou de flores de cerejeira para existir, fará cair em descrédito o que por convenção chamamos de haicai tradicional ou, como prefere Edson Iura, haicai sazonal brasileiro. [1] Aos próprios japoneses que aqui viviam, dizia o mestre Nenpuku: esqueçam a natureza do Japão. [2] É necessário aprender da natureza do Brasil, se você está no Brasil. Um dos momentos célebres da história do nosso haicai é aquele em que o mestre Goga explica “kigo” aos que não acreditavam ser possível poesia de estações em solo tupiniquim. [3] Sim, é possível. É possível aqui e em qualquer parte do mundo. Embora haja evidentes implicações nisso, o haicai não é aprisi...

[LEITURA CRÍTICA DE HAICAI]

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  Capa: Ulisses Góes - Ilustração da Capa: Rafael Pitta - Editora Mondrongo As descoloridas pinceladas dos haicais de Paulo Franchetti Paulo Franchetti é, sem dúvida, um dos melhores teóricos contemporâneos de haicai. Talvez por isso, e dada a grandeza de sua contribuição em língua portuguesa à teoria do haiku [n.1] , sua produção haicaístico-poética autoral é muitas vezes relegada a segundo plano. Embora tenha publicado haicais em algumas importantes antologias e em pelo menos três livros solos – dentre eles  Oeste  (Ateliê Editorial: Cotia, 2008), cujos poemas foram traduzidos para o japonês por ninguém menos que H. Masuda Goga –, tornar-se conhecido como poeta desse gênero literário nunca pareceu ser nem de longe sua ambição. Ao contrário disso, escreve e publica seus haicais como e quando quer, sem se importar em repetir alguns deles em mais de um livro; ignora conscientemente normas que, como exímio estudioso de haiku, conhece bem e aplica de modo eficiente na anális...

HAICAI E CONCEITOS

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  (Imagem Larisa-K - Pixabay) HAICAI E CONCEITOS   Flores silvestres pequeninas e sem brilho à espera de abelhas... H. Masuda Goga   Um dia, na reunião do grêmio Ipê, discutíamos sobre yúgen – aquilo que de profundo e misterioso há em alguns textos, dando-nos clara noção de que o haicaísta alcançou, indizivelmente, a essência do assunto. Tal coisa, não parece acontecer pela mera virtuosidade. Embora seja uma qualidade artística, os fabricantes de bons tercetos jamais o alcançarão somente por isso! É algo que, se entendo bem, verifiquei apenas nos textos dos haijins mais aperfeiçoados, os menos pretensiosos, os destituídos de vaidade, e, surpreendentemente, em haicais de crianças. Nissim Cohen assim o apresenta: “qualidade ou virtude artística, yúgen – a representação do inefável ou do invisível, uma convocação do que está por baixo da superfície da natureza percebida”. [1] A yúgen , outros dois conceitos estéticos estiveram aliados: ushin e mushin . O ...