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GOLPE DE KATANA

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Imagem Pixabay Golpe de katana — Em duas partes a gota da chuva estival   Esse terceto é uma firula medíocre, surreal, que escrevi há algum tempo para uma trilogia de temática nipônica. Apesar de não ser um bom haicai – tudo de modéstia aí se perde, pelo que tem de artifício, mostrando-se a rigor pouco digno de respeito! – gosto dele e o incluí em meu inédito. [1] Gosto de sua imagética. É o recorte, conceitual, a impressão personalíssima de um momento de minha vida no caminho do haicai. Sua primeira redação, que sequer guardei, foi modificada. Dentre outras coisas, a chuva do último verso não se sustentava como kigo . Pretendia ser palavra de estação, mas se eu considerasse os períodos de incidência das chuvas no Japão, marcando fortemente mais de uma estação, não ficava claro em qual delas se situava a do haicai. Seria igualmente difícil situá-la nas estações do Brasil. Então, tempos depois, demarcando a sazonalidade, refiz o último verso. As chuvas de verão são fort...

FLORAL DE NEVE - Seishin

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  (Imagem Petra - Pixabay) floral de neve (INVERNO)   entre nevoeiro as velhas casas e a serra — a terra natal   fumaça de frio — a saudação matinal em poucas palavras   um mapa nas mãos — caminho em bifurcação desfeito na neve   a forte nevasca — no abrigo do vilarejo aula de aikidô   a neve nos Andes — fumaça de chaminé sobe sinuosa   imóvel o anzol — saltos de carpas ao longe neste lago frio     trens de Santiago — nos cimos da cordilheira só silêncio e neve   gravado na pedra um haiku à terra distante — dia do imigrante   fogueiras acesas — diversão de namorados ao som da sanfona   alta madrugada — no restinho da fogueira o velho se aquece   pio da coruja — no meio da madrugada a tosse do avô   um floral de neve — o caminho da montanha sob a luz da lua   noite de inverno — no relógio, indiferente o hototo...

VOO DA LIBÉLULA - Seishin

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  (Imagem Melanie - Pixabay) voo da libélula (OUTONO)   entre as hortaliças contas de um colar desfeito — gotas de rocio   jardim japonês — a dança do bambuzal na manhã de abril   festa de noivado — o caramanchão repleto de uvas maduras   um fado suave — nas ruelas de Coimbra a cor deste outono   placidez do lago — ah... o voo da libélula de asas translúcidas   quase uma carícia — no alvor do algodoal vento da tardinha   nuvens desta tarde — ao voo das maritacas certa nostalgia   quaresmeira em flor — austeridade e leveza da casa em ruínas   praça da estação — vão-se lentas uma a uma as folhas do plátano   no céu nublado da aldeia adormecida — lua desta noite   janelas de vidro — a prata do céu de outono na prata da casa   carrilhão silente — noite vazada de estrelas no pátio do claustro   um pedinte cego na es...

VENTO DE AROMAS - Seishin

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  (Imagem Joshua Woroniecki - Pixabay) vento de aromas (VERÃO)   golpe de katana — em duas partes a gota da chuva estival   após o aguaceiro ainda mais fulgurante — pássaro-de-fogo   silêncio abissal — no horizonte em chamas branca flor de cacto   um tanque de guerra avança em tempo de paz — o escaravelho   o vento de aromas — a terra natal distante e suas lembranças   velho igarapé — iaupê-jaçanã boia em mornas águas   no vasto horizonte um baile de água e de luz   — zarpar dos coiós   raio fulminante — kireji do meu haicai antes do trovão   rios flutuantes — a passagem do verão pela minha terra   anjo e trombeta em mármore esculpidos — os brancos jasmins   velha e estreita rua para a zona do prostíbulo — a dama-da-noite   a noite de festa — o voo da mariposa na rota da luz   o céu e a terra num intercâmbio de...

LUA NUBLADA - Seishin

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  (Imagem Carolina - Pixabay) lua nublada (PRIMAVERA)   nesta travessia quantas lembranças da infância — rio de primavera   estalido brusco — entre as folhas do jardim uma rã em fuga   tão leve... levíssima — a sementinha de ipê parece ter asa   marcha nupcial — o frescor da primavera no buquê da noiva   no arranjo floral o tremor das mãos da avó — broto de roseira   mar de primavera — a cidade litorânea parada no tempo   cantochão suave — na alameda do mosteiro os velhos salgueiros   casebre à venda — um lírio branco a pender no caos da cidade   dia ensolarado — no pomar das cerejeiras a folhagem tenra   feira popular — na flor e sobre os pães doces abelhas nativas      no salgueiro encurvado leveza quase palpável — chuva de primavera   chuva-de-caju — nas pontas do guarda-chuva biqueiras de luz   olhos no ...