DEPOIS DO RAIO, ANTES DO TROVÃO...
Pixabay Ao querido irmão Jishô Handa, monge budista zen do Templo Busshinji. É inverno, as azaleias abriram-se em profusão aqui no claustro. Alguma borboletinha da estação pousou aí no grande sino do teu mosteiro? Lembrei-me da carta do ano passado. Dizer “lembrei-me” é retórica, pelo que peço desculpas. Eu não me esqueci nem um só dia da carta que agora respondo, sem pressa nem ênfase. Quando me mudei para o Sudeste do Brasil, não consegui assimilar imediatamente alguns aspectos de sua natureza. Sem dúvida, o maior desafio foi entender o inverno – muito diferente do inverno de minha terra – e o quanto eu sofria no frio daqui. Nenhuma vara foi mais severa que esta em minha vida de aprendiz de haijin! Quando confessei à mestra minha aversão a esse tempo do ano, recebi dela a mais severa reprimenda de que me recordo. Se eu não era capaz de aceitar o inverno e ser grato por ele, jamais saberia apreciar as outras estações. Era tão forte em mim a resolução de aprender hai...