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RESENHA - O Canto do Inseto

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pixabay   O CANTO DO INSETO por Carlos Martins   Acho que sou um privilegiado neste mundo haicaístico. – “Então quer dizer que no restante da vida não é?” – diria alguém. Não, só quero enfatizar o quanto o Insondável foi e é generoso comigo, quando se trata de tudo que cerca o poeminha de três versos. Quantas surpresas nas páginas de livros que abro, em pessoas com quem passo a conviver, muitas sem convite, trazidas pelas mãos de algum deus poético! Foi assim com o frade carmelita descalço, Antonio Fabiano, Seishin, com o qual, via Grêmio Haicai Ipê, passei a compartilhar ocasiões feitas de amizade e troca poética. Tal encontro possibilitou um rico intercâmbio missivista virtual, de poemas, opiniões, críticas e, uma muito especial: a revisão dos seus livros. Como este que tenho em mãos impresso, mas que já foi lido tantas vezes em arquivo, anotado, sugerido e debatido. Agora, faço a primeira leitura como “leitor” e a última como “revisor” – o que é algo novo para mim...

RESENHA - O Som da Cascata

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pixabay O SOM DA CASCATA por Carlos Martins     Meu Deus do Céu, se este livro trouxesse apenas o seu prefácio, já seria uma das maiores contribuições que um haijin poderia ter, em seu palmilhar o Caminho do Haicai!   Não consigo parar de relê-lo, pois tem tudo que acredito e na voz, nas palavras, de um dos nossos maiores mestres de haicai: Seishin. Sua humildade, entretanto, fará com que ele torça o nariz em desaprovação a essas minhas palavras, mas, que posso fazer se acredito nelas, por vivenciar mediante seus escritos e – por grata felicidade – nossas conversas ocasionais?   “ O que faz um haicai ser haicai e não outra coisa? Resposta possível, mas que apenas tangencia a questão: o sabor. (...) Se a sua mente estiver vazia, talvez você encontre o haicai. Talvez nunca escreva um, mas saberá seu sabor quando o encontrar. Algo vai tocar seu coração. ”   Com essa pérola, ele inicia o prefácio, nos convidando a refletir sobre nosso próp...

O CANTO DO INSETO

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Telucazu Edições   https://telucazu.lojaintegrada.com.br/o-canto-do-inseto-seishin

INVERNO - Seishin

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  Imagem Pixabay muralhas de Ávila — sob o silêncio dos dias a neve... a neve...   gelado até os ossos — sereno e agradecido pulsa o coração   seu preço, antigo no bolso, esquecido — meu sobretudo      manhã opaca — o tracejo do voo da mosca de inverno   o roceiro segue após alegre bom-dia — caburé na porteira   dia de jejum — os brócolis sobre a mesa tão apetitosos   capital mineira — pra qualquer lado que se olhe ipês-roxos, rosas   hoje, cor-de-rosa a rua pobre em que moro — um, dois, três ipês   manhã de inverno — o voejar solitário da borboletinha   caminho do horto — apenas o ruído da queda da folha   solidão da ermida — pousado na velha cruz o pardal de inverno   painas ao vento — de repente me dou conta dos cabelos brancos   imóveis as sombras — ainda mais silenciosa a queda da paina   a tarde em d...

OUTONO - Seishin

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  Imagem Pixabay a velha montanha — silhueta luminosa sob o céu de outono   águas de outono — querubins e virgens choram nos vitrais do templo   explosão de riso — de repente o papagaio a dizer um nome   ao ouvir seu canto quero também ser passarinho — azulão-da-serra    imensa quietude — sobre o lago de águas turvas apenas neblina   no espelho do lago a fazer pequenas ondas — a libelulinha   voo solitário — perde-se na cor do céu a arara azul   sanhaço-da-serra — pontinho azul saltitante na beira da estrada   saudade do menino que te queria em gaiola — canário-do-mato   pio do inhambu — ainda mais melancólica a estrada da infância   vale dos tapuias — inclina-se ao vento o caniço-d’água   quase audível a queda do orvalho sobre a relva   certa nostalgia à desfolha do salgueiro — eis que envelheço   ave solitária — nuvem branca de outono ao cair da tarde   na beira da mata conversa com o pôr do sol — sanhaço-...