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Borboleta de asa rasgada (Seishin)

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  pixabay    estação chuvosa o verde dos olhos dela sobre a caatinga   dia ensolarado araçari-de-bico-branco no alto do coqueiro   pequena aranha dum canto a outro do quarto que é que procura   um ninho de guaxo parece os meus cabelos hoje de manhã   plumas ao vento o que sobrou da galinha no bico do urubu   primavera seca voo duma borboleta de asa rasgada   a lua nublada ter nascido pra esse instante sim... valeu a pena   noite de inverno o latido de um cão no aceiro da mata   canto do bacurau sem pensar em coisa alguma sigo noite a dentro   frio de outono encolhido na palmeira um gavião   fim da primavera no sonho se misturam chuva e passarinhos     Seishin é carmelita descalço e poeta brasileiro. __________________   Antologia Literária 2025: Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil / vários autores; organizado por Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil. – Taubaté, SP: S...

Os bois dormem sossegados (Seishin)

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  pixabay   na volta pra casa por detrás dos eucaliptos lua de verão   pasto de inverno um pequeno gavião nas costas do boi   pasto de inverno os bois dormem sossegados e eu penso em haicai   no galho mais alto da árvore seca do pasto casal de urubus   os olhos redondos do louva-a-deus camuflado no tronco da árvore   bosque de pinheiros em seus troncos camufladas quantas borboletas   machado na lenha sem trégua ressoa o canto fogo-apagou   frio e solidão escorre pela montanha a água da chuva   dia preguiçoso rechonchuda taturana escala o coqueiro   vento suave na copa do pé de angico ah borboletas   fim da estação vão se calando as rãzinhas na fonte do claustro     Seishin é carmelita descalço e poeta brasileiro. __________________   Antologia Literária 2025: Associação Cultural e Literária Nikkei Bungaku do Brasil / vários a...

AS CONTAS DO ROSÁRIO

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pixabay   estação chuvosa — florzinhas de marmeleiro enfeitam a caatinga   pátio do asilo — um Papai Noel magrinho distribui presentes   chuva de verão — a noite se torna dia antes do trovão    com flores pra mestra a visita do discípulo — tarde de verão   velho casarão — florada de gerânios em suas sacadas   ao fundo a lua — esvoaçar de morcegos entre o arvoredo   chuva de verão — chapinha a lama da estrada o pé do moleque   tarde de verão — o telhado reluzente da casa abandonada   casca de cigarra — à lembrança, de repente, haiku de Bashô   súbito trovão — curva-se a roseira ao peso da chuva   ah o frescor das flores despetaladas — chuva de verão   depois da chuva o perfume da roseira em todo o alpendre   lago de verão — o capinzal já bem alto acena, acena...   manhã de janeiro — a primavera em cascata no muro da casa   o monge em silêncio passa as contas do rosário — chuva de verão   vozes da mata —...