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CABURÉ

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(Imagem Pixabay) Ao voltar a casa – em uma das noites de Novena à Nossa Senhora do Carmo, celebrada em uma pequena capela de nossa Paróquia – ingresso no claustro do Convento e percebo de repente o voo surdo de um vulto. A noite está fria, como são as noites de julho aqui em Minas Gerais. As aves noturnas têm voo silencioso, de modo que caem de improviso sobre suas presas. De repente, as luzes automáticas do claustro se apagam. Da cumeeira da casa, o olhar luminoso e penetrante da coruja me alcança. Nós nos olhamos, a pouco menos de dois metros, por um tempo infindável...   de dentro do breu  parece ver a minha alma —  o caburezinho Nota íntima, Diário Julho de 2022 Seishin 清心

SELETA: HAICAIS DE FINADOS...

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  Imagem Pixabay   perfume de flor entrelaçado à saudade — dia de finados gotas de chuva na melancólica tarde — dia de finados   declínio da tarde ao som de ave-marias... dia de finados   pôr-do-sol no cemitério da colina — dia de finados   missa para o pai que este ano se foi... dia de finados   Seishin  清心

VOO DE PASSARINHO

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  (Imagem Pixabay) – HAICAI – VOO DE PASSARINHO   A natureza e suas mudanças Sentir a natureza em suas mudanças não depende de estações bem definidas. Quando se pensa o contrário – se você está no Brasil, por exemplo, que é um país tropical – e não se liberta de uma vez por todas da fantasia de um haicai que precise de neve ou de flores de cerejeira para existir, fará cair em descrédito o que por convenção chamamos de haicai tradicional ou, como prefere Edson Iura, haicai sazonal brasileiro. [1] Aos próprios japoneses que aqui viviam, dizia o mestre Nenpuku: esqueçam a natureza do Japão. [2] É necessário aprender da natureza do Brasil, se você está no Brasil. Um dos momentos célebres da história do nosso haicai é aquele em que o mestre Goga explica “kigo” aos que não acreditavam ser possível poesia de estações em solo tupiniquim. [3] Sim, é possível. É possível aqui e em qualquer parte do mundo. Embora haja evidentes implicações nisso, o haicai não é aprisi...

À SOMBRA DOS IPÊS

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  (Imagem Musskoff - Pixabay) À SOMBRA DOS IPÊS       Chão pleno de flor Na sombra do ipê-roxo — Saudade do pai       Esse haicai foi escrito para o amigo W. O. K., por ocasião do falecimento de seu pai, P. K. Em seu tributo foram plantados quatro ipês: um ipê-amarelo, um ipê-branco, um ipê-roxo e um ipê-rosa.     IPÊ-ROXO, O KIGO   A estação do haicai acima é inverno, pois IPÊ-ROXO é kigo de inverno, período de sua floração. Dito de modo simples, kigo é aquela palavra de estação que dá ao haicai seu sentido de ser. Ipê-amarelo e ipê-branco resultam em kigos de primavera. Já um ipê-rosa, tal como o roxo, é de inverno. IPÊ sem qualquer outra referência será sempre entendido como de primavera. A flor do ipê é oficialmente a flor nacional e símbolo da primavera brasileira. É a flor suprema para muitos haijins do Brasil, algo talvez equivalente à cerejeira (sakura) no Japão. Haijins são poetas de haicai, iniciad...

FLORAL DE NEVE - Seishin

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  (Imagem Petra - Pixabay) floral de neve (INVERNO)   entre nevoeiro as velhas casas e a serra — a terra natal   fumaça de frio — a saudação matinal em poucas palavras   um mapa nas mãos — caminho em bifurcação desfeito na neve   a forte nevasca — no abrigo do vilarejo aula de aikidô   a neve nos Andes — fumaça de chaminé sobe sinuosa   imóvel o anzol — saltos de carpas ao longe neste lago frio     trens de Santiago — nos cimos da cordilheira só silêncio e neve   gravado na pedra um haiku à terra distante — dia do imigrante   fogueiras acesas — diversão de namorados ao som da sanfona   alta madrugada — no restinho da fogueira o velho se aquece   pio da coruja — no meio da madrugada a tosse do avô   um floral de neve — o caminho da montanha sob a luz da lua   noite de inverno — no relógio, indiferente o hototo...

VOO DA LIBÉLULA - Seishin

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  (Imagem Melanie - Pixabay) voo da libélula (OUTONO)   entre as hortaliças contas de um colar desfeito — gotas de rocio   jardim japonês — a dança do bambuzal na manhã de abril   festa de noivado — o caramanchão repleto de uvas maduras   um fado suave — nas ruelas de Coimbra a cor deste outono   placidez do lago — ah... o voo da libélula de asas translúcidas   quase uma carícia — no alvor do algodoal vento da tardinha   nuvens desta tarde — ao voo das maritacas certa nostalgia   quaresmeira em flor — austeridade e leveza da casa em ruínas   praça da estação — vão-se lentas uma a uma as folhas do plátano   no céu nublado da aldeia adormecida — lua desta noite   janelas de vidro — a prata do céu de outono na prata da casa   carrilhão silente — noite vazada de estrelas no pátio do claustro   um pedinte cego na es...