O SOM DA CASCATA por Márcio Grings


pixabay 


noite de inverno

o cavalo e a estrela

igualmente sós

 

Finalizo mais um título do catálogo Telucazu Edições — O Som da Cascata, livro de haicais escrito pelo carmelita descalço Seishin (nome haicaístico, haigô, de Antonio Fabiano).

Estudioso, o poeta/haijin se baseia na busca dos preceitos clássicos do terceto oriental. Kigo, kireji, concisão, a natureza como emblema temático, a solidão como uma missão de vida:

 

velho hotel —

a barata e o haijin

dividem o quarto

 

Dividido no modelo canônico de haicai, em capítulos ligados às estações, tendo sempre o haibun (texto introdutório em prosa) como uma abertura de cenário, o livro flui em sua leitura sem pesar ao leitor.

No prefácio e posfácio, Seishin fala de referências, confessa frustrações e possíveis deficiências (segunda sua autocrítica rigorosa). Porém, o que acabo de ler, a partir da edição cuidadosa da Telucazu, passando pelo conteúdo lírico dos cerca de 100 haicais distribuídos nos capítulos (além dos extras de cada haibun), concretam uma obra peculiar.

Em suma: o conteúdo de O Som da Cascata compõe um tipo de livro capaz de encantar leitores calejados no gênero, assim como possui adjetivos para conquistar novos leitores e adeptos ao haiku.



Márcio Grings

2025


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