O SOM DA CASCATA por Márcio Grings
noite de inverno
o cavalo e a estrela
igualmente sós
Finalizo
mais um título do catálogo Telucazu Edições — O Som da Cascata, livro de haicais escrito pelo carmelita descalço
Seishin (nome haicaístico, haigô, de Antonio Fabiano).
Estudioso,
o poeta/haijin se baseia na busca dos preceitos clássicos do terceto oriental. Kigo, kireji, concisão, a
natureza como emblema temático, a solidão como uma
missão de vida:
velho hotel —
a barata e o haijin
dividem o quarto
Dividido no
modelo canônico de haicai, em capítulos ligados às estações, tendo sempre o
haibun (texto introdutório em prosa) como uma abertura de cenário, o livro flui
em sua leitura sem pesar ao leitor.
No prefácio
e posfácio, Seishin fala de referências, confessa frustrações e possíveis
deficiências (segunda sua autocrítica rigorosa). Porém, o que acabo de ler, a
partir da edição cuidadosa da Telucazu, passando pelo conteúdo lírico dos cerca
de 100 haicais distribuídos nos capítulos (além dos extras de cada haibun),
concretam uma obra peculiar.
Em suma: o
conteúdo de O Som da Cascata compõe
um tipo de livro capaz de encantar leitores calejados no gênero, assim como
possui adjetivos para conquistar novos leitores e adeptos ao haiku.
Márcio Grings
2025
