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NO APAGAR DAS LUZES

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(pixabay) Para nós, o kigo tem centralidade e dele deve originar-se o haicai. [1]   Quanto a isso, estamos de acordo!   Mas se colocarmos em debate trinta poetas de haicai tradicional, haverá dissenso e uns dirão aos outros que há na tertúlia vinte e nove falsos poetas e tipos de haicai. Isso não é exclusividade brasileira! É o que vejo também nas discussões de haicai de outros países.   Enfileiro os maiores poetas do Japão. Não imagino algo mais tenso que Bashô e Shiki convidados para a mesma festa! [2] Damo-nos o apelido poético de “escola de Bashô”, mas devemos quase tudo ao gênio do caqui, que desconstruiu e até ridicularizava o velho mestre do haicai da rã.   Será que os sábios da grande assembleia têm lido os haicais que são feitos no Japão de hoje? Se soubessem japonês, diriam para os jovens poetas da Terra do Sol Nascente: “kore wa haiku dewa arimasen” ... [3]   O tempo fez-me mais humilde, pelo crisol de meus próprios fracassos nesta arte. Eu não sei...

CHUVINHA DE INVERNO

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Imagem Pixabay   chuvinha de inverno — a infância revisitada em cada canto da casa   ao longo da via entre carros e buzinas — flores de ipês-roxos   ipê-roxo em flor — um dia de estrada e calos pra te contemplar   na placa da estrada como a indicar o destino — o caburezinho   finda o pôr-do-sol — da sombra vem o canto da coruja   ao sabor do vento o ondular do capim — inverno fenece Seishin  

AS LUZES DO MORRO

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Imagem Pixabay   ao longe o morro pontilhado de luz — lua de outono   as luzes do morro nas casas dos pobrezinhos — lua de outono   morna luz do sol — a cor inesquecível das folhas de abril Seishin

ÁGUAS DE OUTONO

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Imagem Pixabay   acaba-se o mês pelas biqueiras da casa — águas de outono Seishin

LUA NUBLADA...

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Teruko Oda e Seishin (arquivo pessoal) os passos de um bêbado quebram o silêncio da rua — a lua nublada   romeiros na estrada — também segue seu caminho lua de verão   no céu nublado da aldeia adormecida — lua desta noite   o tio enfermo — última lua de inverno nublada no céu   (Seishin)

A LUA, O LUAR...

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Seishin e Teruko Oda  (arquivo pessoal) Noite muito quente — Mas a lua que me abraça diz que é primavera.   Lua de verão — Um peão lustrando as botas na porta do rancho.   Cadeiras a leste na minha terra natal — Lua desta noite!   Vilarejo ao longe — Olhando bem as luzes brancas lua de inverno.   (“Janelas e tempo”, Teruko Oda. São Paulo: Escrituras Editora, 2003.)

INVERNO - Seishin

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  Imagem Pixabay muralhas de Ávila — sob o silêncio dos dias a neve... a neve...   gelado até os ossos — sereno e agradecido pulsa o coração   seu preço, antigo no bolso, esquecido — meu sobretudo      manhã opaca — o tracejo do voo da mosca de inverno   o roceiro segue após alegre bom-dia — caburé na porteira   dia de jejum — os brócolis sobre a mesa tão apetitosos   capital mineira — pra qualquer lado que se olhe ipês-roxos, rosas   hoje, cor-de-rosa a rua pobre em que moro — um, dois, três ipês   manhã de inverno — o voejar solitário da borboletinha   caminho do horto — apenas o ruído da queda da folha   solidão da ermida — pousado na velha cruz o pardal de inverno   painas ao vento — de repente me dou conta dos cabelos brancos   imóveis as sombras — ainda mais silenciosa a queda da paina   a tarde em d...